As coisas tão mais lindas
De frente para o computador, enquanto eu digitava alguns textos jurídicos, Cássia Eller tocava no meu iTunes. A música que fez-me viajar do meu pequeno gabinete para alguns cantos do paraíso outrora perdido dentro de mim foi “As Coisas tão mais lindas”. Cássia simplesmente cantava coisas que eu gostaria de ter escrito. Coisas que, agora, eu adoraria cantar para alguém um tanto quanto distante. Distante em todas as direções, em todos os horizontes, em todos os sentidos, em todos os pontos. Cardeais ou não.
Foi então que concluí que pior do que não poder ser ouvido, agora, é não ter para quem cantar tão lindas poesias.
Pois é: acho que estou de caso com as palavras e com a música. Mas honestamente, preferia estar de caso com um certo alguém.
Já é quase Natal. Deveria eu adicionar isso à minha lista?
Ondas agitadas
É estranho reencontrar – ocasionalmente ou não – alguém de quem gostamos mas que não nos vê (ou já não nos vê) da forma que ansiávamos ser vistos. Pode parecer egoísmo, mas também me soa estranho pensar que esta pessoa está bem, já “numa outra onda” e que a quilha da sua prancha a levou para direção oposta à minha. Ondas agitadas estas, eu diria.
Penso que quem disse que “saudades é a vontade de voltar no tempo e viver tudo de novo” sabia exatamente o que eu agora sinto.
No mais, pesa-me aceitar que, no final das contas, não se fincou o amor e nem restou a amizade que, dizia-se, nunca teria um fim. Hora de dar mais um passo contra o vento.


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