Educação e transformação
Ontem festejamos o encerramento do ano escolar e a graduação das crianças do ensino pré-primário e das crianças do 9° ano matriculadas no Centro de Treinamento Shallon, um projeto filantrópico, coordenado pela Junta de Missões da Igreja Batista Nacional do Brasil (JAMI) e que recebe apoio de doadores de Cingapura, Austrália e Brasil.
Desde o ano passado, tenho auxiliado este projeto no que se refere a algumas questões administrativas e legais. É interessante e ao mesmo tempo recompensador ver as crianças recebendo uma educação com qualidade num país que ainda enfrenta sérios problemas de desenvolvimento. E temos motivos de sobra para celebrações nesta data porque, para além do encerramento do ano e graduação, todos os alunos do pré-secundário obtiveram aprovação nos exames nacionais.
Com efeito, o Centro Shallon vem desenvolvendo um trabalho de excelência na comunidade timorense, especialmente no Bairro Bebonuk, onde está localizada, promovendo a integração dos pais e alunos, provocando nestes últimos, essencialmente, a reflexão de idéias, propondo valores, adestrando-os ainda para o exercício da cidadania através de uma participação consciente na sua própria comunidade bem como no governo civil. É lindo vê-los entender que a história desta jovem nação será escrita com a intervenção deles.
Como dizia o grande educador Paulo Freire, “A Educação sozinha não transforma a sociedade e sem ela tão pouco a sociedade muda”.
Desenvolvimento humano
Todos os dias, nos diferentes jornais, há inúmeras notícias referentes ao combate à fome e à pobreza. Este, aliás, é um dos oito objetivos de desenvolvimento do milênio promovido pelo PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas).
Ou seja: apesar de que o mundo vem progredindo proporcionalmente mais nos últimos 50 anos do que em toda a história, é certo também que a desigualdade entre as nações é uma das características que melhor define o mundo contemporâneo.
Do que consta, o número de pessoas em países em desenvolvimento vivendo com menos de um dólar ao dia eram, em 1990, 1,25 bilhão. Já em 2004, este número havia caído para 980 milhões. Certamente, ainda é muita gente sem comida, sem teto, sem chão e ademais, a par desta proporção ter sido reduzida, observa-se que os benefícios do crescimento econômico foram desiguais entre os países e, nesse particular, entre regiões dentro destes países. E as maiores desigualdades foram identificadas pelo próprio PNUD como existentes na América Latina, no Caribe e na África Subsaariana. Isso significa que, neste passo, se o ritmo de progresso atual continuar apenas nessa proporção, o primeiro objetivo de desenvolvimento do milênio não será cumprido. Ou seja: em 2015 ainda haverá 30 milhões de crianças abaixo do peso na África e no Sul da Ásia.
Nesta triste realidade engloba-se Timor. Os locais vivem, aqui, com menos de 1 dólar americano ao dia. Um contra-senso quando encontramos pelas ruas inúmeros “malays” (palavra indonésia usada para denominar os ‘estrangeiros’) ostentando uma qualidade de vida que em muito difere da dos nativos. A questão primordial nisso tudo é que muito dos que pra cá vem a fim de transferir conhecimento aos locais, capacitando os recursos humanos, pouco fazem e isso na intenção de aqui permanecerem por muito mais tempo a ganhar salários que, provavelmente, nos seus países jamais ganhariam.
E aqui impera a questão: tenho feito eu o melhor que posso para que a realidade local mude de alguma forma, desenvolvendo-se? Apenas algo para se pensar!
Humanizando o desenvolvimento
A par do sucesso de alguns projetos levados a cabo por inúmeras organizações governamentais e não governamentais, de iniciativas, programas e parcerias que, efetivamente, estão transformando a vida de muitos, o termo “Desenvolvimento Humano” vem normalmente relacionado a imagens de desolação, destruição, pobreza e dor.
Obstante, e a fim de evidenciar as ações promissoras, e com vistas ainda a serem partilhandas propostas inovadoras e de sucesso, o IPC – IG (International Policy Centre for Inclusive Growth), em colaboração com inúmeros parceiros, lançou, em 1 de junho de 2009, uma campanha global de fotografia, a qual tem como temática o seguinte: “Humanizando o desenvolvimento”.
A idéia, portanto, é promover exemplos de pessoas que, apesar das dificuldades e fortalezas que diariamente se levantam, vencem, com sucesso, a luta contra a pobreza, contra a exclusão social e contra a marginalização, amenizando assim o estereótipo de que desenvolvimento é sempre aliado a imagens de destruição, perda de sonhos e esperança, para além da falta de condições econômicas.
Para participar da campanha, basta o interessado dirigir-se ao website do IPC-UNDP clicando aqui, preencher as informações ali solicitadas e enviar a sua fotografia.
Neste aspecto, anote-se que as imagens selecionadas serão permantemente expostas na sede do IPC- UNDP. Ademais, serão também organizadas outras exposições em algumas cidades do Brasil e do mundo, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Nova Yorque.
A campanha foi aberta em 1 de junho e a data limite para o envio de fotografias vai até 1 de outubro de 2009.
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