Máquina Transformadora

As coisas tão mais lindas

Publicado em Coisas que não funcionam, música, Natal, Sobre muitas coisas... por georgesilva em dezembro 23, 2011

De frente para o computador, enquanto eu digitava alguns textos jurídicos, Cássia Eller tocava no meu iTunes. A música que fez-me viajar do meu pequeno gabinete para alguns cantos do paraíso outrora perdido dentro de mim foi “As Coisas tão mais lindas”. Cássia simplesmente cantava coisas que eu gostaria de ter escrito. Coisas que, agora, eu adoraria cantar para alguém um tanto quanto distante. Distante em todas as direções, em todos os  horizontes, em todos os sentidos, em todos os pontos. Cardeais ou não.

Foi então que concluí que pior do que não poder ser ouvido, agora, é não ter para quem cantar tão lindas poesias.

Pois é: acho que estou de caso com as palavras e com a música. Mas honestamente, preferia estar de caso com um certo alguém.

Já é quase Natal. Deveria eu adicionar isso à minha lista?

A superficialidade da Música Cristã Contemporânea brasileira na atualidade

Publicado em música, Religião, Sobre muitas coisas... por georgesilva em julho 3, 2011

Felipe Braga, um amigo de Rondônia, me encaminhou pelo Facebook um clipe antigo de uma música que me reportou a momentos bem especiais da minha infância e adolescência. A canção chamada “Situações”, composta pelo Pr. Paulo Cézar e gravada pelo Grupo Logos, tem uma melodia linda e uma letra que conforta a alma (para ver o clipe, clique aqui). Já faz algum tempo que estou fora do Brasil, mas o que percebo é  que hoje está sobrando pelo mercado grupos e trabalhos cujas canções mais lembram uma animação de um programa qualquer de auditório, como aqueles episódios onde Gugu Liberato gritava “-Domingo!” e a galera respondia: “-Legaaaaal”!

Na verdade, o que mais me impressiona em grupos como o Logos, Vencedores por Cristo e Milad (só para citar alguns) não são apenas os arranjos bem bolados e a criatividade em ter que se fazer um som fantástico explorando ou tirando tudo o que se era possível dos instrumentos tão limitados em comparação com aquilo que temos hoje. Me impressiona, para além disso, a poesia e o comprometimento que estes grupos sempre demonstraram ter em relação à Palavra. Eu não quero generalizar, mas confesso que escuto, do Brasil, mais músicas ‘cristãs’ antigas do que trabalhos atuais. Porque? Porque não gosto da maior parte dos trabalhos atuais.  Por isso. Porque a maior parte dos trabalhos atuais cansam meus ouvidos. A paciência foge de mim quando aperto o “play” e logo na introdução da música me vêm palavras como “brado de vitória”,  “profetizar” ou “apaixonado”.  Particularmente, eu me canso de ouvir por 10 minutos consecutivos alguém cantando que está “apaixonado, apaixonado e apaixonado”. Talvez seja apenas uma impressão minha que muitas das músicas criadas para o atual mercado cristão são pobres no que se refere  à poesia e à teologia (pra não falar em total ausência desta última) ou talvez  seja falta de sorte mesmo – uma vez que o que chega às minhas mãos são melodias parecidas com mantras que as vezes escuto nas visitas a templos budistas da Tailândia, Laos e templos hinduístas de Bali, por exemplo -.

Eu gosto muito de uma frase do Reuben Morgan, um dos ministros de louvor da Hillsong, onde o mesmo afirma que “a palavra”, por si só, continua sendo a maior inspiração do grupo. E eu concordo. Na minha opinião, as composições da Hillsong não se limitam a um ‘oba-oba’, a algo criado para animar o auditório. Na verdade, as canções trazem (ou levam) os ouvintes a um ambiente onde Deus é o centro.

Não me interessa os “rótulos”. Se música cristã contemporânea ou música Gospel (se bem que o termo Gospel, na essência, representa um estilo criado pelos negros americanos, praticamente divulgado por meio dos famosos corais batistas, por exemplo), isso, pra mim, é o de menos. O que me importa, me preocupa, é a essência destas canções. De que adianta os “super-espirituais” de plantão dizerem que música secular é do diabo porque não edifica ou porque não serve ao propósito de ‘adorar’ àquele que nos fez quando a maior parte das canções cristãs atualmente entoadas nas igrejas “tiraram” Deus do centro, o “grande EU sou”, colocando o “eu-humano” em evidência? É “eu posso vencer” aqui, “eu posso andar pelo fogo” ali, “e se diante de mim não se abrir o mar, Deus vai me fazer andar por sobre as águas”, e por aí vai. Ou seja: Ou vai, ou racha! E neste “vencer ou vencer”, mais do que um lema de fé, surge uma nova ordem ‘espiritual’. Faltarão shofares pra ajudar na causa…  Honestamente: Legião Urbana fala muito mais ao cantar que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” do que diz um tal de Ministério Tomados pela Glória com uma tal de “dança da noiva”.

O que também me soa desconexo com as pregações hoje veiculadas através das canções mais vendidas é que o próprio evangelho traz exemplos de seguidores de Cristo que não tiveram a vida pautada na aquisição de bens materiais, numa vida sossegada, livre de problemas, numa vida sem estresse e/ou sofrimento de qualquer natureza. Sendo assim, me pergunto se não passou do tempo de haver uma reforma dentro da reforma, donde valores essenciais – talvez esquecidos – sejam relembrados e reafirmados. Porque, na verdade, as causas e os valores cristãos defendidos por Lutero, Calvino, Wesley e Huss, estão se perdendo. Estes, mártires da fé, não desejavam criam novas denominações, mas apenas colocaram em evidência falhas da Igreja Medieval, se levantando contra uma mentalidade que não encontrava amparo em nenhuma passagem das escrituras sagradas. Tinham eles a esperança de que ela, Igreja, se agarrasse à Palavra e a nada mais. E, infelizmente, o que noto é que a igreja contemporânea está a reinserir nas suas liturgias, práticas por estes mártires condenadas. Mais do que por eles: pelo próprio Autor da vida. E assim, a graça, por si só, já não basta. E a graça, por só só, já não tem graça.  A graça, presente maior, já não é tema central das músicas cristãs contemporâneas (ou Gospel, como preferirem)…

Saudades sinto dos primeiros SOS da Vida, com o Rebanhão do Carlinhos Felix cantando: “- eu quero voltar ao primeiro amor!”. Saudades eu sinto daqueles SOS onde os rapazes do Resgate, mesmo com os cabelos longos até a cintura e guitarras  estridentes também pregavam: “- E agora leve fardo levam sobre os seus ombros…”, onde Katsbarnea, de uma forma inteligente, evidenciava que as riquezas deste mundo não compram o prazer de se viver no centro da vontade do Pai e que a verdadeira “Revolução está no nome de Deus, seu Filho Jesus, que nos liberta das cadeias, dos enganos deste mundo que sabe muito bem como iludir…” (ou que jovem da minha época, que curtia Clipe Gospel até  altas horas da madrugada nunca vibrou ao ouvir “Extra-extra” e “Revolução”?)… Saudades as vezes ainda sinto em ouvir Guardiam, Whitecross, Bride e a galera do DC Talk gritando: “- I am a Jesus Freak!”.

Seria eu também um por pensar assim? Ou será que estou apenas ficando velho e, velho, passo a agir como minha mãe fazia comigo ao criticar o som que eu curtia? Melhor seria se fosse assim, eu diria.

Hillsong UNITED em Jacarta: Aftermath!

Publicado em música, Religião, Sobre muitas coisas..., Viagem por georgesilva em junho 15, 2011

Apesar de já ter ido à Hillsong em Sidney, Austrália, foi a primeira vez que vi um show liderado pelo pessoal do UNITED.  Estava curioso porque nunca imaginei que tantas pessoas pudessem atender a um trabalho cristão no país que é considerado fechado ao cristianismo por possuir o maior número de muçulmanos no mundo: Indonésia.

UNITED foi a Jacarta e por sorte eu lá estava. Já  não haviam ingressos a venda há mais de uma semana, mas a bondade de um amigo que conheci em Timor me favoreceu: Michael Ferdinand Runtuwene cedeu seus dois ingressos para que eu e Isabel – uma amiga e missionária em Timor – atendêssemos ao concerto. Valeu a pena.

Os caras tocam, falam e cantam bem. Tem presença de palco e ministram com autoridade. Não se limitam a usar frases de efeitos. Cantam e encantam. Bastam alguns minutos para que todo o auditório começe a adorar com intensidade. O ambiente se transforma rapidamente  e uma atmosfera de adoração extravagante contagia a todos os presentes. É impossível deixar aquele lugar da mesma forma como se entrou. Dá pra entender a projeção que o UNITED vem conquistando deste os últimos anos. Basicamente, os caras são hoje a melhor banda cristã no mundo, tendo inclusive conquistado lugares de destaque em revistas especializadas pela vendagem excepcional. Há dois anos, por exemplo, “Across the Earth: Tear Down the Walls” ultrapassou, nos EUA, a vendagem de grupos como The Black Eyed Peas, assumindo por semanas o primeiro lugar na listagem. E este ano, logo após o lançamento, “Aftermath”, o novo álbum do grupo (o qual dá nome à turnê mundial) alcançou o topo das vendagens no iTunes da Austrália e Nova Zelândia.

Mais do que um show, o UNITED me reportou a um culto com duração de duas horas e trinta minutos que passaram rapidamente. A mensagem foi pregada de forma clara, expontânea e atrativa. No apelo, inúmeros indonésios declaram ser Jesus o Senhor das suas vidas.  Algo lindo de se ver.

Num país onde há limitações à liberdade de expressão, fiquei surpreso e encantado com o desenvolvimento e comprometimento do cristianismo.  Estamos a atravessar o mar a pé enxutos mas os campos continam brancos para a ceifa. Só não vê quem não quer.

[a_CROSS//the_EARTH] :: Tear Down The Walls

Publicado em música, Religião, Sobre muitas coisas... por georgesilva em julho 29, 2009

acrossFico a pensar se quando “Shout to the Lord”  foi lançado anos atrás (a versão brasileira desta canção ficou conhecida através da gravação feito pelo Diante do Trono 1, com o título “Aclame ao Senhor”), Darlene e a Hillsong Worship Team imaginavam a projeção que teriam anos mais tarde. Provavelmente nem Joel Houston – que deveria ter uns 8 anos quando essa canção foi gravada! -, era capaz de conceber que anos depois estaria à frente – e no palco, com Marty Sampson – do United.

O último CD do grupo, lançado no primeiro semestre deste ano, ficou várias semanas na lista do itunes americano, oscilando entre o primeiro e o segundo lugar da lista de maior vendagem (à frente, inclusive, de Fergie e a troupe do Black Eye Peas!).

No site oficial do UNITED, é possível fazer, gratuitamente, o download da música “No Reason”, do último álbum. Os riffes de guitarra, o vocal, harmonia e linha melódica, a vibração e a energia são inconfundíveis.

Para acessar o site e fazer o download, clique aqui!

O título [a_CROSS//the_EARTH] :: Tear Down The Walls sugere que a igreja deve libertar-se das paredes que a cercam e que em algumas vezes a aprisiona, ignorando a fome, a pobreza e toda a forma de injustiça social. Deve assumir, portanto, a sua responsabilidade em prol do bem comum. Mais, compreendendo que nossas necessidades e ambições devem se dobrar aos pés da cruz, é preciso compreender que “o que Deus realiza em nós é a nossa história, mas que o que escolhemos fazer com esta história é o que realmente importa”.

Coisa para se pensar (Porque este é o tempo para que também a igreja promova transformações!)!

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Pro dia nascer feliz!

Publicado em música por georgesilva em julho 14, 2009

longliverockSurfando na net, descobri que hoje, 13 de julho, é o dia mundial do Rock. Reportei-me à minha adolescência, quando o desejo de causar mudança través da música era uma idéia constante, esvainecida pela tentativa frustrada de deixar a cabeleira crescer tentando imitar Dale Thompson, do Bride, e Jamie Rowe, do Guardian, expoentes do rock cristão internacional, ou, ao menos, Manga, Brother e, especialmente, Zé Bruno – com a inesquecível versão de florzinha!

Quando ouvi o Katsbarnea e Catedral pela primeira vez, pensei: “- Meu Deus! Tudo o que sempre sonhei está aqui, nestas k7′s!”. Foram presentes da Melissa, a menina roqueira, do cabelo vermelho, da igreja Maranata, vizinha de classe, no Educandário Curumim (Pois! Esse era o nome do colégio!). Eu estava no primeiro colegial (apesar do nome da escola, acredite: eu estava mesmo no que hoje chamam de ‘ensino médio’!) e foi quando descobri também as poesias de Cazuza, Barão e, especialmente, da Legião – os ‘filhos da revolução”.

Hoje, ouço mais do rock brasileiro. E até sinto saudades da década de 80, donde o Brasil foi testemunha de uma época de crescimento econômico, do fim de Figueiredo, de reorganização de forças políticas, do aprendizado do processo de redemocratização e,  para além disso, da evolução do rock no cenário artístico. Foi também a época que descobri o Atari e alguns desenhos que eu ainda adoro, como He-man, Transformers e Thundercats!

Apesar de pequeno, recordo-me  de sucessos como “Lança perfume” e “Menina Veneno” do Ritchie. E também me recordo de algo do Barão e do Cazuza.

É isso: feliz dia mundial do Rock para todos! Desejo, para esta data, dor de barriga – como a  que tive há uma semana atrás! – para todos os micareteiros, pagodeiros, funkeiros e caipiras. Como dizem os amigos tugas: para os curtidores de música pimba!

Stay heavy,
Stay rock!

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